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de Tere Penhabe
Há tempos estou no banco é verdade, eu não nego mas cheguei ainda
moça cheia de salamaleco buscava o homem ideal botei anúncio no
jornal cacei até no boteco.
O primeiro que apareceu veio montado à
cavalo com um chapéu Panamá o coração deu embalo pra que tinha que
descer que então vi aparecer os defeitos do tal gajo.
A bota de
cano longo escondia o despreparo daquela perna de pau ninguém ali pôs
reparo e eu chorava sentida o homem da minha vida carecia ser
intacto.
Veio a outra tentativa do príncipe encantado num baile da
fazenda era sonho realizado moço forte e disposto não podia dar
desgosto esse era fava contada.
Quando ele pra mim olhava naquele
jeito matreiro a galera se assanhava e eu falava, vi primeiro devem ter
feito vodu que depois do sururu só sobrou mesmo é zoeira.
Mais
tarde quando chegou ao abrir a maldita boca antes não tivesse
feito bobagem ali era pouca de tudo só aproveitei as preces que eu
rezei pra não ir dormir de touca.
Se não capricho na reza sabe
Deus onde estaria que ele disse estar pronto pra qualquer anomalia e
combinou pra segunda ir buscar panos de bunda que eu era o que ele
queria.
Saí do baile apressada sem nem olhar para trás pois achei
que poderia estátua de sal virar cheguei em casa correndo de medo até
tremendo outra dessa, nunca mais.
Já meio desanimada esperança
capengando por mim que já desistia do tal homem venerando decidi ir pro
convento mas a mãe no advento meu palpite foi cortando.
Você não
nasceu pra isso toma juízo menina se entra para o convento bota os
padres numa fria que o meu gado eu conheço e entre as pedras do
terço vai ser só patifaria.
Sem entender direito mas dei-lhe toda
razão pois sabia que era o amor senhor do meu coração pra ser esposa de
Cristo é certo que o meu pedrisco transbordava caminhão.
Fui
passando pelo tempo sem ao menos dar por fé não dava pra concurso mas
havia quem quisesse já ameaçava cair uma coisa aqui e outra ali eu me
apeguei com as preces.
Idéia infeliz da gota essa que eu acabei
tendo que esse santo da moléstia eu nem estava sabendo teve lá um
piripaque largou reza e no atabaque união andou fazendo.
Dessa vez
veio à cavalo o meu legado castigo não se faz para ninguém o que o
santo fez comigo me deu um marido gago além de tudo era bravo e nunca
foi entendido.
Tentar bem que ele tentou nunca saiu do pa pa pa eu
perdi a paciência noutro canto fui caçar esse tal de homem ideal é
feito folha de jornal só vale no dia que sai.
Chego sempre
atrasada que até já me conformei mas nunca vou desistir que uma notícia
lerei pode ser até antiga mas largada na vida sem B.O. ou
trelelê.
Ainda dou uma meia-sola eu afirmo e não arredo o meu
espelho é meu chapa por isso esse é meu credo com tudo bem em
cima corpinho de bailarina pra dançar ala do frevo.
Tá certo que
de baiana mas isso não interessa com o aval do falecido que não se acha
mais nessa quem estiver a duvidar que vá por ele procurar eu por mim
não me apresso.
Agora falando sério preste aqui muita atenção não
existe homem ideal como mulher também não somos cheios de defeitos mas
cada um com o jeito que o outro tem na ilusão.
Tere
Penhabe Santos, 20/07/2006

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