de Tere Penhabe

 

Esta já é uma história
que me benzo ao começar
é história de arrepiar
sem nenhum riso nem glória
não consiste em vitória
 da vida foi um lamento
quiçá meu maior tormento
escrita com sangue e dor
de alguém que era meu amor
me marcou seu sofrimento.

 

Teve a sua hora torta
numa tarde de domingo
quase na hora do bingo
já havia baixado a porta
 a lida estava morta
lá no Empório Brasil
onde a vida por um fio
não acabou pra nós dois
nesse dia e também depois
que a vida é um leito de rio.

 

Veio o Seu João Mendonça
co'aquela prosa comprida
de estar difícil a vida
que lá na água da Onça
quebrara a geringonça
que era seu ganha pão
trator de segunda mão
enfim, o que ele queria
mas que não me convencia
era passar um problemão.

 

Trouxe a égua com fobia
pra ofertar ao falecido
por sua conta vencida
que mais negócio seria
perdoar tal mixaria
se uma bola de cristal
que eu sei que não é normal
 mostrasse quanta sangria
que o tal negócio faria
em nossa vida afinal.

 

E chegado o mês de agosto
teve seus dias marcados
de nós dois o triste fado
que nos deu tanto desgosto
tirou a alegria do rosto
quando se deu o tal fato
o acidente malfadado
por conta de teimosia
da égua ele cairia
vi nosso sonho rasgado.

 

Deitado na ribanceira
aquela égua o deixou
por pouco não o aleijou
inda me dá tremedeira
lembrando a desgraceira
que na vida se abateu
a esperança que morreu
vendo-o ali desmaiado
meu marido tão amado
junto ao sonho dele e meu.

 

Completamente perdida
sem saber como fazer
o seu corpo eu esmurrei
gritei que voltasse à vida
que não fugisse da lida.
Disse mais tarde o doutor
quando explicou tal teor
que foi naquele momento
de horror e sofrimento
que para a vida voltou.

 

Muito tempo passou mal
antes de poder andar
quando pode, foi buscar
notícias do animal.
Mas o golpe foi brutal:
no lugar da sua morte
quem tivera menos sorte
fora a égua e o caseiro
mortos no mesmo terreiro
onde ele fora tão forte.

 

Vi-o cair em desatino
tentou, não compreendeu
que teia sua vida teceu
pra turvar o seu destino...
foi peão desde menino.
Nunca voltou ao normal
pois não achava casual
tudo que lhe aconteceu
e porque sobreviveu
achava paradoxal.

 

Por isso conto a história
ele já encontrou a morte
pois foi pouca a sua sorte
terminou a trajetória
mas chegou até a vitória.
Seguindo no meu caminho
veio a ser um peregrino.
Pensei tê-lo libertado
não quis ficar ao meu lado
ninguém foge do destino.

 

Tere Penhabe
Santos, 22/04/2006_6:00 hs

 

 

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