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de Tere Penhabe
Só de lá da minha terra onde nasci e me criei daria a volta no
mundo histórias que eu já contei inda que eu viva cem anos e gastá-los
só contando sobra história, que eu sei.
Lá ainda é bom lugar de
fina hospitalidade mas não deseja voltar quem saiu lá da cidade. Um a
um todos lá somem gato, cachorro e homem essa é a grande
verdade.
Os dias são sonolentos tem as horas preguiçosas o relógio
só trabalha à custa de muita prosa. Tartaruga lá é atleta não se vê nem
bicicleta é como viver na roça.
Mas é sorte que os domingos são
dias de novidade ninguém permanece em casa vão na praça da cidade onde
estão os furacões jogadores e os peões razão de felicidade.
Foi
assim que eu conheci o amigo Tião Medonho de sorriso tão bonito nunca
vi ele tristonho inclusive não entendia o porque dessa arrelia de
apelido tão bisonho.
Tentando compreender o motivo eu perguntei ao
que o falecido disse espere que inda vai ver no dia do futebol nem que
faça muito sol Medonho há de conhecer.
Chegou o dia esperado na
Fazenda Santa Inês do jogo tão afamado o tal de melhor das três. Me
parecia enfadonho chamar Tião de Medonho pra mim era malvadez.
O
time já tinha fama de não haver quem derrube formado ali na
fazenda "Vai quem qué futibor clube" mas ninguém jogava nada nele, a
grande cartada Tião Medonho: o insalubre!
Era tal a
curiosidade dava até um faniquito nisso vi o Tião chegando parecia um
eucalipto pra mais de metro e oitenta no jeitão meio polenta medonho só
o apelido.
Era gigante esse homem tanto quanto o coração com o seu
sorriso lindo do povo apertando a mão. Sua cor negra reluzia com aquela
voz macia beijando o seu medalhão.
Nem bem o juiz apitou eu comecei
a entender o trunfo de Tião Medonho pra tanto jogo vencer no campo,
aquele homem foi virando lobisomem ah coisa ruim de se ver.
Os
minutos foram indo Tião foi se transformando ajuntou as
sombrancelhas um demônio foi ficando nunca vi nada mais feio e no
campo, bem no meio seu grito foi ribombando.
Aquele moço bonito de
sorriso encantador se evaporou rapidinho ficou um rei do terror mas a
ninguém maltratava e se ali ninguém passava era só pelo seu
furor.
Quando o time adversário tentava se aproximar Tião meio que
arrepiava o peito punha-se a inchar e gritava em desacato: -Sai da
frente senão eu mato! não tinha um pra ficar.
Nisso, em volta do
campo vitória era mais que sonho homem, criança, mulher ninguém ali era
tristonho nem um sequer duvidava que aquele jogo ganhava por conta do
Tião Medonho.
Pois os que não o conheciam no campo se
arrepiavam batiam o joelho e tremiam de medo quase cagavam porque mais
feio que aquilo só o capeta num cochilo de lendas que lá
contavam.
Claro que no fim do jogo Tião era ovacionado aplaudido
pelo povo e no campo carregado mas era contra a vontade pois sua
sinceridade fazia-lhe envergonhado.
Dizia ele insistente pro povo
daquela aldeia futebol eu não entendo nem mesmo bola de meia se o time
foi campeão a culpa não é minha não -Sou campeão da cara
feia!
Tere
Penhabe Santos, 22/04/2006_01:20 hs

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