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de Tere Penhabe
Lá na terra donde eu vim "A Jóia da sorocabana" tal nome que lhe deu
fama muita história eu ouvi e as que eu mesma percebi mostravam sem
hesitação não podendo ser ilusão que a morte é moça bonita gosta até de
fazer fita p'ros medrosos de plantão.
Ora vestida de chita de
noiva ou camizolão na estrada ou no portão ninguém que a viu
acredita que essa mulher não exista pra uns é fada madrinha pra outros
é o fim da linha o fato é que ela passeia dando uma ou volta e meia e
ainda faz gracinha.
Meu falecido contava arrepiando-lhe os
pelos que a morte tem os cabelos grandes como uma cascata que os
balança e faz bravata ao passante amedrontado trêmulo e todo
molhado sem recurso pra fugir e sequer para admitir o seu medo
encalacrado.
Dizia ainda o finado que a gargalhada da morte para
quem tem a má sorte de vir a lhe conhecer seja por ou sem querer não é
coisa que se esqueça aconteça o que aconteça fica gravado na mente por
mais que o peão seja crente tende a tudo amolecer.
E esse fato que
lhes conto aconteceu de verdade foi lá com nosso compadre de tão bom
ele era tonto não merecia o confronto que a malvada lhe impôs não só um
dia, mas por dois atravessou seu caminho chegando bem de mansinho nunca
foi o mesmo depois.
Foi na estrada vicinal numa noite de serão de
uma a outra plantação viajava o meu compadre já pensando na comadre que
lhe esperava faceira depois duma noite inteira de sonhos de
arribação sabe Deus quanto tesão foi pro vapor da chaleira.
Pois
que ao olhar do lado sentindo forte arrepio meu compadre o que viu não
gosto nem de lembrar passagem dele a contar chorando que nem
criança homem forte, de sustância perdeu o jeito e a
vergonha parecendo uma pamonha ao falar da circunstância.
Que a
noiva de Bernardino cidadinha malfadada feia e mal assombrada se
agarrou ao meu compadre que por infelicidade já conhecia a história não
vendo no abraço glória só terror e pantomina mesmo ela sendo a
menina pra motivo de vitória.
Fez dele gato e sapato divertiu a
não mais poder queira ou não você crer a morte é coisa mandada não se
amofina por nada tinhosa como ninguém acha estar fazendo o bem inda
caçoou do compadre debochando de suas partes não deu por elas
vintém.
O homem que era garanhão bom de traia e
safadeza impertinente o beleza hoje vive capengando nos cantos se
lamentando com sua cara de choro conta que não deu no coro nunca mais
na sua vida por conta da morte bendita numa noite de
sufoco.
Tere
Penhabe Santos, 11/04/2006_11:00 hs

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