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 de Tere Penhabe
Numa mesa de boteco três viúvas proseavam a cervejinha do lado ora riam
ora lamentavam viúva pra todo gosto boa de glúteo ou de rosto batiam as
que lá estavam.
A prosa tava animada entre venenos e mimos quando
ao falar no leão uma lembrou seu marido que não havia no mundo pra
cuidar bem o seu fundo como o tal do falecido.
A outra viúva se
benzeu não diga isso menina ele pode é não gostar dessa lembrança
mesquinha aprenda a fazer o imposto se não quiser ter encosto lá na sua
escrivaninha.
Pois eu lhe digo que o meu (desembestou a fulana) pra
pouca coisa servia a rigor só para a cama vivia desmantelado depois de
bem arrumado me deu foi uma banana.
Bem por isso que eu digo desde
quando faleceu tinha que ser um dos dois? antes ele do que eu que ele
descanse em paz eu fico com o capataz do sítio onde nasceu.
Foi
então que a terceira das viúvas dessa mesa entre séria e pesarosa deu
sinal da realeza eu vou contar pra vocês que nessa dentre nós três fui
eu quem saiu ilesa.
Ninguém pode contestar eu amava o
falecido vivemos em harmonia me orgulho muito disso mesmo que um
acidente tenha lhe feito doente bem sabem do acontecido.
Falo é da
"mortadela" que do pobre eu quebrei Deus no céu e eu na terra sabe o
quanto eu chorei de remorso e de pesar com medo de precisar contentar
com ela nissei.
Mas graças a São Longuinho São José e São
Sebastião nem lembro quantos santos eu tinha presos na mão orando
pela"mortadela" que eu precisava dela pedi até a Santo Antão.
Vai
daí que um belo dia meu lamento aconteceu meu marido tão amado de
repente ele morreu o meu mundo veio abaixo minha vida foi pro
taxo graça e cor ela perdeu.
Igual uma barata tonta andava pra lá
e pra cá já não via nesse mundo motivo pra me alegrar meus dias eram de
pranto sem achar nenhum encanto passava o tempo a chorar.
Vai daí
que me apareceu um anjo a mando de Deus tentando me consolar gastou
argumentos seus quanto mais ela falava mais o meu pranto jorrava só
queria o marido meu.
Foi então que ela me disse vamos mudar essa
prosa não chore mais menina vou lhe fazer uma reza em breve o
falecido seu tão amado marido há de lhe buscar na terra.
Aquilo me
bateu forte o choro parou na hora que diabo de prosa é essa não quero
morrer agora me aviei com presteza pois tinha uma certeza: ele que se
vá embora.
Arribei minha cabeça toquei a sina pra frente sempre com
muita alegria com fé e muito contente fiz da vida uma proeza até chegar
nessa mesa desse jeito transparente.
Assim terminou a noite das
três viúvas santistas sem nem reclamar da vida que isso é coisa de
petista entre cervejas e porções falando dos corações em versos de
cordelista.
Tere
Penhabe Santos, 08/09/2006

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