|
 de Tere Penhabe
Já lá se vão alguns anos de quando ouvi falar indo desta pra melhor o
juízo vou encarar nunca apreciei a idéia chegou a me arrepiar.
A
primeira vez que ouvi foi na casa paroquial a mulher tanto berrava o
barulho era infernal era a nossa catequista na escola
dominical.
Não deu mais pra duvidar haviam antecipado o tal de
juízo final ali era executado estremecia nas bases ao ouvir o seu
ditado. A mulher era uma gralha descabelada e feiosa se existe o
tal demônio era ela e o resto é prosa mais parecia um jabá e posava de
dengosa. Fiz primeira comunhão no domingo era a missa de tanto que
eu tremia o corpo suava em bica porque ela ameaçou: se errar aqui mesmo
fica. Mal a bela cerimônia foi dada por terminada não sabia se
dançava ou se andava de quatro do juízo eu tava livre ele já tinha
acabado. Mais um bocado de anos eu passei acreditando que o meu
lugar no céu alguém tava reservando era tão bom ser ingênua viver
crendo e sonhando.
Mas na escola primária topei o diabo outra
vez uma turca encapetada que era pura acidez dizia ao entrar na
sala vou acabar com vocês. Voltou o medo a galope por Deus! Eu não
merecia pois outro juízo final seria uma patifaria perguntava em
oração se findaria a quizila. Já que ninguém respondia acabou que
eu me estressei fiz uma reza comprida o santinho eu preparei e no altar
caprichado São Pedro eu pressionei:
O senhor tem mesmo a chave?
Diga logo duma vez o que trazer na bagagem pra poder ficar
freguês de tanto juízo final tá me dando insensatez. Claro que não
fui ouvida nem no sonho ninguém veio comecei a desconfiar São Pedro
como porteiro tava mesmo é se saindo um tremendo maloqueiro. A
vida seguiu em frente a bem dizer na lambança esqueci a catequista a
turca com sua rompança passar no juízo final já não tinha
esperança. Foi aí que num repente me bateu a sabedoria acabei com
a incerteza que tanto me corroia porque esse juízo final Deus ou o demo
não faria. Quem fez foi o Juscelino que não teve a
intenção construiu uma cidade pra abrigar filho de cão onde quem é
inocente sofre só desilusão. Observem aquele quadro que pintou o
italiano é Brasília o retratado isso não é um engano furdúncio pra todo
lado no meio um tonto pensando. Tere
Penhabe Santos, 28/04/2006

 ©
Copyright 2006 por Terezinha A.
Penhabe® Santos . SP - Brasil Todos os direitos reservados ®. Não
pode ser utilizado sem permissão do autor.
|