Fim do Mundo
de Tere Penhabe

Desde muito pequena eu percebo que diante de uma grande catástrofe, logo vem à tona, as profecias de Nostradamus. Não foi diferente agora, quando houve a catástrofe da tsuname.
Isso, inevitavelmente leva-nos a pensar no fim do mundo...como seria?
Às vezes me ocorre que seria como uma liquidação de loja de calcinhas da Rua Oriente...mulheres, e homens também, apesar de serem em menor número, como mostram as estatísticas, abalroando-se, completamente envoltos no desespero de conseguir a última peça daquele modelo, que seria na realidade uma passagem sem exigência de classe, no trem para a Vida. Mas acontece que só estarão saindo trens para a Morte... Muitas passagens rasgadas pela falta de compostura dos competidores e no final... aquele vazio estranho que toma conta do recinto onde houve uma liquidação.
Alguém que se sentiu lesado, abandona o campo de batalha, e vai pra Bresser ver se consegue um exemplar, mesmo pagando mais caro.
Outras vezes, imagino o fim do mundo, como o pregão da Bolsa de Valores.
A disputa seria apenas entre dois investidores. De um lado, Jesus Cristo, no seu adorável estilo zen. Do outro, o demônio com o jeitão de político que é alvo de CPI, deveras preocupado em escolher bem os seus comparsas.
No meio, as ações, que seríamos nós, completamente loucos tentando descobrir o caminho, a verdade e a maneira certa de não sermos prejudicados, exatamente como ficamos diante da urna nas eleições, porque mesmo parecendo tão evidente, corre à boca pequena que o demônio pode muito bem se fantasiar de Jesus... e se formos enganados? Seria o caos total...
Dizem que o demônio não admite pessoas que amam. O amor seria então a única saída, porque no seu adorável estilo zen, Jesus não vai ficar gritando e se descabelando para querer esta ou aquela ovelha, então, o melhor caminho é se tornar desprezível para o demônio e cair automaticamente nas
aquisições de Jesus... por isso eu amo vocês, amo muito, não duvidem. Não se iludam achando que sou boazinha, porque na verdade, advogo em causa própria...
Numa terceira especulação, o fim do mundo seria um grande Big Brother Mundi.
E será que eu tomaria o partido do Jean, sem ver daqui de fora o que acontece realmente? Será que eu não ia optar pelo mocinho politicamente correto que parecia ser, aquele ser ignóbil que é o Rogério? Não sei... é aí que mora o perigo.
Porque apesar de adorar os meus amigos gays, nunca aceitei bem a idéia de ter um filho gay. Isso equivale dizer que eu tinha preconceito, e graças ao Jean, meu preconceito acabou. Eu preferia de mil para um, ser mãe dele do que do Doutor Gê, o médico desprezível que arma todas para derrubar o homossexual, Jean.
Jean me mostrou que o maior defeito de um homem não é ser gay; é ser rei: rei da desonestidade, da hipocrisia, falsidade, e sobretudo, da ignorância.
Mas existem tantas outras possibilidades... é difícil ser preciso nesse assunto.
O dilúvio não seria mais plausível. Hoje em dia a humanidade está muito infestada de mutretas. É certo que o mundo só acabaria para os menos favorecidos, mas a gente sabe que com Deus, não tem essas regalias não... Bom, pra finalizar, se alguém fizer a passagem antes de mim, e quiser vir me contar como vai ser... é uma idéia. Mas por favor não me puxem os pés. Eu morro de cócegas...

 

Tere Penhabe
Santos, 06/01/2005

 

 

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