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O
universo, tão ricamente construído, já
não satisfaz o ser humano, com os efeitos que Deus
lhe deu. Precisa de efeitos especiais.
Você,
ou qualquer coisa sua, para ter valor hoje em dia, tem que
explodir, brilhar ou soltar faíscas.
Os
rios, precisam de fortes correntezas para que fiquemos contentes
e os chamemos de “back animado”. Plácidos e sonolentos,
correndo mansamente em seus leitos, já não
têm valor algum.
As
estrelas precisam piscar mais violentamente numa tela de
computador, para que sejam elogiadas. Penduradas no céu,
contrastando maravilhosamente com a noite escura, nem
sequer são vistas.
E
a lua, covardemente usurpada do seu lado poético e belo,
sequer a vêem os passageiros apressados desse mundo
rápido.
Mas
quando as desvendamos com um clic ou um enter, eis que ela
surge poderosa como sempre, encantando jovens e velhos.
Por
falar em jovens... ah, quanta saudade das jovens de pele
de pêssego e olhar profundo!
Hoje,
a pele é pouco para satisfazê-las e furam-na por
todo lado, ora pendurando argolas, ora incrustando brilhos.
Efeitos especiais...
E
os olhos, portadores antigos das mais belas mensagens de amor,
hoje ocultam-se atrás de lentes coloridas, como
se fossem culpados, meros condenados por uma corte de efeitos
especiais.
E
não para por aí...
Em
1968, o Sr. Nório, professor de Ciências , provocava-nos
muitas exclamações, ora de admiração,
ora de medo, por seus constantes devaneios, com os quais
ajudava a empurrar as horas, encharcadas de aguardente.
Em
um desses devaneios, sem jamais duvidar de si próprio,
ele nos dizia que no ano 2000, seríamos nós, o
remanescente da raça humana, porque a partir daí,
todos seriam feitos em laboratório.
Ele
errou por pouco...
Mesmo
não considerando os cães assassinos que foram
criados nos laboratórios de homens, para a destruição
do próprio homem, vemos ainda seres humanos, homens
e mulheres, praticamente “feitos” de silicone, ao custo
de milhares de dólares.
E
não digam que é exagero, porque algumas das
mais belas atrizes, se colocadas num aparelho eliminador
de silicone, muito pouco sobrará delas.
Enquanto
isso, crianças morrem de fome, num maravilhoso mundo
novo... de efeitos especiais.
E
os velhos, pelos quais os efeitos especiais pouco podem fazer,
vão sendo relegados cada vez mais, à marginalização
e ao esquecimento. Encaixotados em asilos ou casinholas
na praia, sob a falsa alegação de provocar-lhes
bem estar, como se a solidão pudesse ser chamada
de bem estar.
Não
há lugar para eles, num mundo de efeitos especiais...
E
não podemos nos esquecer das assinaturas, antes traços
fortes indicando decisão e maturidade, ou traços
delicados, indicando romantismo, hoje, nada mais que falsificações.
Que não chegam a ser grotescas, mas fogem muito da
verdade, pois fadinhas de cintura fina e bonequinhas que
jogam beijinhos, representam mulheres que já passaram
e muito, da idade das bonecas.
Mas
pelo menos alguma coisa, ainda estamos preservando, mesmo
que seja ao acaso, sem querer... o amor!
Ah,
o amor!!!
Não
há laboratório ou química, em canto nenhum
desse mundo, capaz de criar o amor.
Esse
sentimento gostoso, que brota dentro da gente, que sentimos
por pessoas que não foram escolhidas por nós,
mas sim, pela alma ou coração, quem há
de saber ao certo?!
Esse
desejo impaciente de fazer loucuras, de encarar desafios,
desejo de correr, voar, ou simplesmente se deixar ficar...
desde que seja na companhia de alguém, especificamente
alguém.
Isso
é amor! Puro e belo como Deus o criou, sem os
famigerados... efeitos especiais!!!
Tere
Penhabe Itanhaém,
03/12/2003
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