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R e a ç õ e s |
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Começa-se a vida com uma reação extremamente negativa: o choro. Talvez porque ainda seja impossível lamentar. E segue-se em frente, chorando cada vez mais. De fome, de frio, de dor, qualquer que seja ela. Seria tão mais prático, se quando bebês, pudéssemos falar. Mas por outro lado, acho que muitas gafes seriam cometidas, pois não creio que eu me calaria, ao ouvir alguém dizer à minha mãe que eu não tinha mais jeito e era melhor deixar eu morrer sem tantas injeções e sofrimento. Mas nem só de choro vivem os bebês. Tem aquele sorriso lindo que encanta todo mundo, e do qual ninguém se lembra depois. Tem também a gargalhada gostosa, que o papai sempre diz que é prá ele, mas que na verdade, deve ser pra vida. Enfim, as reações de um bebê têm muito a ver com as reações dos adultos, só que não são interpretadas assim. E o tempo vai passando, lentamente a princípio, rapidamente depois, e chega uma hora em que não dá mais para rir nem chorar, então adota-se convenientemente, a reação do “beicinho”. Tenta-se conseguir com “beicinhos”, o que já não é possível através do riso e muito menos do choro, porque nessa época, o riso é ignorado e o choro, severamente castigado, uma reação bastante incoerente, diga-se de passagem. Mas a vida continua com seu rolo compressor, massacrando os anos, e as reações seguem seu curso de transformações. Adolescência! Que outra reação pode-se ter além da incompreensão? É na adolescência que se descobre pesarosamente, que tudo o que é bom é proibido, o que é gostoso engorda e que nem só de pão vive o homem. Adota-se então, a posição de incompreendido, para tentar driblar todos esses conceitos, o que raramente dá certo. E de repente, pouco mais que de repente, as reações se contorcem revoltadas dentro da gente, porque em vez de adolescentes, somos adultos. E então elas se divergem muito, umas das outras. Alguns se fantasiam de responsáveis, e irresponsavelmente, levam a vida na fantasia. Outros, reagem com medo e chegam à velhice fugindo de tudo e de todos; há ainda os que simplesmente esperam uma reação do mundo, enquanto dormem o sono dos preguiçosos, fazendo-se passar por justos. E há também os políticos, cujas reações ninguém entende, antes de conhecerem suas contas bancárias. Mas o rolo compressor não pára, e aos 60, fatalmente as reações retroagem seis décadas. Teremos então, nova e penosamente, a era do choro. Pela rinite, asma ou reumatismo, até mesmo pela saudade, qualquer motivo é bom o bastante para deixar um lágrima correr. Exatamente igual há tantos anos atrás, o médico é chamado, são aplicados medicamentos, alimentação controlada, e tudo o mais. Só que, em vez do doce e sublime carinho da mãe, teremos então, o forçado e intolerante cuidado dos filhos. Reações... nada mais que reações! Tere
Penhabe
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