
 de
Tere
Penhabe
Eu tentei
ensinar meu coração a navegar. Mostrei a ele, tantas vezes seguidas, o
horizonte que nos esperava, era só ir buscar... Tentei mostrar-lhe a beleza
dos corais, a magia das sereias, que ninguém acredita mais. Aquele
barquinho oscilando nas ondas... havia nele um pescador... a cigana disse
ser meu amor. Mas meu coração não acreditou. Ou quem sabe se cansou de
esperar... cansou. Eu queria que ele fosse, um menino do mar, livre nas
ondas, de peito nu e bronzeado, sem medo e sem limites, arrojado! Pulamos
as sete ondas tantas vezes, que já nem sei quantas ondas se
arquivaram dentro de nós... eu e meu coração. Parecia tão fácil... o mar é
a nossa paixão!
Mas eu não sei... acho que não deu certo...
Meu coração tem cheiro de mato, barulho de gravetos
quebrados sob os passos, tem a névoa das cascatas refrescando-lhe as
dores, meu coração é leviano, abriga mil amores! Tem saudade das
borboletas, azuis e amarelas... era tão bom correr pelos pastos atrás
delas! Os passarinhos coloridos em seus ninhos que há tanto tempo eu não
vejo mais... Meu coração lamenta a ausência, em tristes ais. Ah, que
saudade do meu beija-flor! Toda manhã fazendo festa na minha janela, cadê
você, colibri? Porque não vem aqui?
Nunca pensei que sentiria falta da
poeira das estradas, das pescarias sob o sol forte, sem pegar nada... que
tantas vezes eu vi, tive certeza que vi! Os peixinhos me olhando e dando
risada...
A vida é assim, feita de caminhos, de escolhas, entre
uns e outros, algumas paradas. E de repente, quando se pensa que sabe tudo,
que se chegou na verdade... a verdade é que não se tem certeza de
nada...
Tere
Penhabe Santos,
27/10/2006

 ©
Copyright 2006 por Terezinha A.
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Midi: Tereza da Praia Compositor:
Antonio
Carlos
Jobim
e
Billy
Blanco Intérprete:
Antonio
Carlos
Jobim
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