I
Na tentativa vã de te encontrar, Felicidade... que tão pouco
vi, Acreditei não mais te desvendar, Por isso, abandonar-te,
resolvi.
Cansada já de tanto me enganar, Das dores todas que por ti,
vivi, Antes do coração desesperar, Juntei cacos da vida e então
fugi.
Quando já ia em meio à caminhada Despida de qualquer naco de
fé, Eu vi, na estrada, uma ilusão de pé.
Ao me acenar, propôs uma
charada: - A tal felicidade que procuras, É um desenho feito nas
alturas!

II A minha busca, então, recomeçava... Presa por
finos fios de esperança, Montanhas e montanhas, escalava, Por longas
trilhas eu fazia andança. Meu corpo, já cansado, reclamava... O
coração, então, sem segurança, Batia lento que quase parava. Pensava ser
da sina, só vingança... Águias pelo céu, eu já tivera antes Mas não
desenham nada, só machucam, Os sonhos envelhecem e caducam...
Sondei
dias e noites, dos mirantes... Vi belas artes, todas lendas mortas, E que
jamais me abriram suas portas...

III Um dia, olhando o quadro de
Da Vinci, No céu azul, atrás da Mona Lisa, As nuvens brancas feitas com
requinte... Eu vislumbrei... mexidas pela brisa... Minh'alma, que
antes, sempre foi pedinte, Das que não ganham, nunca, o que precisa... E
de repente, na nuvem seguinte Uma alegria, o céu lhe profetisa.
Pois o
desenho dela, na verdade Foi puramente aquele sonho breve, Que quando eu
li, senti sua afinidade...
Chegaste então, pra mim,
Felicidade! Nalguma oferta doce terna e leve... Que vai comigo pela
eternidade!
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