de Tere Penhabe

Meu barraco na favela,
foi onde eu fui mais feliz!
De manhã, pela janela
olhava o que eu sempre quis.

O mangue ali se estendia,
qual surrado cobertor,
não me faltava a magia
de ter ao lado, um amor.

Um pouco além, lá na frente
o mar com ondas bravias
parecia dizer pra gente:
_ Chegou o tempo de alegrias!

À noite, naquela praça,
de mãos dadas, a passear,
via a cigana, com graça
tão frenética, a dançar.

Que linda era a sua canção!
Os volteios tão primorosos,
transbordavam de emoção,
os meus olhos lacrimosos.

Mas o mar estava errado...
Felicidade teve fim.
Nunca mais vi o tal bailado,
a vida mudou para mim...

Quanto engano! Penso ainda...
Quando o barraco eu deixei,
pra viver na casa linda,
os meus sonhos, derramei.

Ficaram pelo caminho,
ao longo da enxurrada.
Na casa, faltou carinho
e depois não tinha nada.

Só o silêncio foi parceiro,
nesse triste acontecido,
quando perdi por inteiro
o que eu tinha conseguido.

O dia era tão comprido!
E a solidão, tão aguda!
Meu coração, dolorido
gritava por não ter culpa!

Foi ficando cabisbaixo,
com preguiça de bater...
Minha vida veio abaixo,
porém, pra quê socorrer?

Mas a semente encantada,
que eu plantei aqui na Terra,
minha filha, muito amada...
por ela, eu venci essa guerra!

E o coração remendado,
bate agora com vontade,
não conseguiu ser amado,
porém vive da amizade.

Mas a minha recordação,
(que nada tem de saudade)
guarda o antigo barracão,
no rol da felicidade.

Por isso, eu sei, mais que nunca!
_A riqueza é relativa_
porque foi numa espelunca,
onde eu me senti mais viva!

 

Tere Penhabe
Santos, 16/01/2008

 

Nota da autora:
Poema inspirado na trova do poeta José Antonio Jacob:

Meu barracão na favela,
Aonde vou vivendo ao léu,
Na moldura da janela
Não tem vidraça: - tem céu!
(José Antonio Jacob)

 

 

Menu de Poesias

Principal

Assinar o Livro de Visitas

 


© Copyright 2008
por Terezinha A. Penhabe®
Santos . SP - Brasil
Todos os direitos reservados ®.
Não pode ser utilizado sem permissão do autor.
  

 

 
Midi: Barracão
Compositores:
LuizAntônio e OldemarTeixeiraMagalhães
Intérprete: HeleninhaCosta

    

Poesias:

   A B C D E F G I J L M N O P Q R S T U V