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de Tere Penhabe
Foram tantos risos, tantas alegrias... A vida era menina e era fácil cantar,
sorrir, sonhar! Foi fácil até... cometer o primeiro pecado, o primeiro
cigarro... fazer círculos de fumaça que se perdiam no ar, como se
perderam os sonhos, depois, bem depois...
Onde estão? Onde estão
meus amigos? Minha amiga querida, gordinha como eu queria ser... com os
seios grandes que eu queria ter, e mesmo assim não a invejava... apenas
admirava! As nossas serenatas, feitas aos pares, fugindo dos bares para
que ninguém nos visse... Juras sob o luar... ao som do violão, batidas
descompassadas do coração... cartinhas escondidas debaixo do
colchão... que saudade!
Meu primeiro namorado... que depois
perdeu a magia, de repente casado, vítima dos deslizes das horas
mortas... pisando nos meus sonhos, como quem pisa formigas com a sola do
sapato...
As quermesses no sábado à noite, o correio-elegante tão
esperado! Chegando apressado e sendo apertado, na palma da mão suada de
emoção! Que tempo bom!
Mas onde estão? Onde está a magia de poder
acreditar no que se ouvia?! Onde... a pureza, que parecia tão constante,
tinha tanta firmeza! Onde a perdi, que não sei? Onde estão os nossos
pactos, a nossa lei? "Um por todos, todos por um!" Ah... parecia tão
fácil! E no entanto... cadê todo mundo?!
O mundo girou, o sol se
escondeu, a lua morreu... Até os passarinhos já não cantam mais... ficaram
preguiçosos? Criaram sindicatos? Ou simplesmente estão ociosos, à
espera de inspiração... como eu?
Talvez... mas só talvez! O mais
certo é esse verbo inóspito: ENVELHECER! Que alguns tentam me convencer que é
bom, mas... Como bem disse o grande Velho Aprendiz, Jorge
Reigada: "Envelhecer é bom para a mãe dos outros!" Concordo com
ele!
Envelhecer significa perder... Perder amigos, entes queridos,
sonhos, ilusões... Brigar com o espelho, chamá-lo de
pentelho... Envelhecer significa ver puir o coração! Aos poucos... E mesmo
assim é preciso...
Tropeçando aqui, caindo ali, tentando reavivar o
que não existe mais, fingindo o riso, que só consegue ser uma
caricatura, do que já foi um dia... Mesmo assim é preciso...
É
preciso envelhecer! Fingir que está tudo bem, que não incomoda
ninguém e transformar a vida num poço de lembranças, lembranças e
saudades... Porque para tudo falta coragem, saúde e coragem... às vezes
vontade...
Mas envelhecer é preciso! Para sair da vida em grande
estilo! Vencedor! Velho e decrépito, porém... VENCEDOR!
Eu só
não sei do que...
Tere
Penhabe
Santos,
14/02/2008

 ©
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Música:
A Lista Compositor e Intérprete: Oswaldo Montenegro
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