Tere Penhabe

 

O vento ruge lá fora...
E é triste quando o vento ruge.
Parece-me que a natureza chora
querendo partir, ir embora...

Talvez o golpe que sofreu
tenha sido igual ao meu.
Mas quem sabe, nem tanto.
E seja só por mim,
que ela derrama o pranto.

Então manda o vento vir rugir assim,
aqui na minha janela
como se pudéssemos, eu e ela
num grande abraço, encontrar consolo,
para tanto dolo...

Mas vejo agora, feliz, que o vento parou.
Então não era tanto assim.
Foi só um lapso de descontentamento...
Ah, natureza, tão amada, tão querida!
Não vale a pena acalentar tormento,
eu e você sabemos.

Amanhã, que ainda existirá, eu sei
nesta mesma janela onde o vento chorou
eu vou me debruçar, sorridente
e ver ali embaixo, o mar...
tão lindo e tão contente!

Obrigada...

 

Tere Penhabe
Santos, 24/09/2007

 

 

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