de Tere Penhabe

 

Quero me soltar no tempo
quero me soltar para outras vidas...
Deixar que me levem, à revelia,
minhas esperanças perdidas!

Não quero mais lutar
nem esperar em vão por quimeras.
Quero morar numa nuvem
sem portas ou janelas.

Não se aproximem, sonhos fúteis!
Cansei de tantas ilusões inúteis.
Cansei dos conceitos mal feitos
apregoados pelos meus eleitos.

Quero só o vento, no meu pensamento,
aliviando essa dor tão inclemente...
Quero deitar na relva por um momento
e ser amada pelo sol, selvagemente!

Também ser amante da lua, eternamente nua.
Juntas afrontarmos a triste convenção,
metralhando sem piedade, a imaginação,
que nos atribui ternura, doçura...

Quero ficar assim... à mercê de mim.
Vazia de tudo que machuca tanto,
que sangra a alma e provoca pranto
e assim, bem assim... esperar meu doce fim.

 

Tere Penhabe
Santos, 02/10/2007

 

 

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