de Tere Penhabe

 

Era uma vez
que na verdade foram tantas
um doce olhar que me sorria
sem que eu percebesse
penetrava-me a alma
fazendo ninho no meu coração.
 
Um homem que não me obedecia
contra toda e qualquer coerência
em vez de me abandonar
simplesmente sorria
 ficando, dia após dia.
 
Um sonho acalentado e repartido
entre pessoas diferentes
que amavam o mesmo céu
o mesmo sol quando nascia
esperavam da vida, amanhã igual.
 
Um sentimento que nasceu tímido
sem saber o que queria ser
foi crescendo aos poucos
tomando para si a fama de louco
de dois seres muito iguais.
 
Seres que roubaram da vida
certezas e conceitos, preceitos
com isso construíram uma cabana
à beira do destino que corria lento;
ali foram vivendo.
 
Era uma vez
que na verdade, foram muitas
um homem... e uma mulher.

 

Tere Penhabe
Itanhaém, 30/04/2003

 

 

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