Olhando a vida se esvair
ele desejou viver
mais do que era possível
muito além do seu poder.
A doce menina lhe mostrou
quão nula é a imortalidade:

"De que me adianta ter asas
se não posso sentir
o vento no meu rosto?"

Entretanto, alguém lhe diz:

"-Sempre haverá uma primavera
e o rio volta ao seu curso
quando as geleiras derretem..."

...então nós podemos tudo
graças à grande dádiva do universo:
O livre arbítrio!
O amor começa a sua luta
precisa unir dois corações,
para que a união se realize
é preciso ferir, sangrar
deixar correr a seiva da vida
que ele não tinha em suas veias...
Enquanto o mundo leiloa a alma
pela imortalidade
um, apenas um
enuncia convicto:

"-Eu desistiria da eternidade para tocá-la...
Ela é o mais perto que eu posso chegar do céu."

Amor!.. Amor!... Amor!...
Quem ousa não crer?
Quem ousaria dizer
que ele não existe?
E o anjo se faz homem
alegra-se nas tristezas do homem
realiza-se em suas frustrações
na violência que permeia o mundo
apenas para ser
amado.
O seu amor foi eterno por um dia
mas para sempre imortal
dada a intensidade com que existiu.
Ao vê-la partir, sem poder impedir
restou apenas a certeza:

"Eu prefiro tê-la tocado uma vez
ter sentido seu cabelo uma vez
tê-la beijado uma vez
...do que uma eternidade sem isso."

Assim é o amor!
No mundo dos homens...
ou na Cidade Dos Anjos...

 

                Itanhaém, 18/12/2004_9:29 hs

                 

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*Nota da autora: Poesia inspirada no filme do mesmo tema.
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