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Meus pincéis vão delineando lenta e suavemente seu corpo quase
perfeito. O rosto másculo surge com seus traços fortes que atraem meus
lábios como se tivessem vida. Vão surgindo os ombros que parecem
suportar o mundo e todas as paixões que ele contém. E o peito
imponente de salientes músculos parece esconder um coração que a minha
arte não revela mas canta batidas que eu ouço que aquietam minha
alma sempre tão sedenta de amar. E as tintas dançam solenes dando vida
às suas formas impregnando-me as mãos como se elas fossem Deus a
criá-lo. É apenas uma pintura mas provoca-me arrepios tocada que sou,
profundamente pela minha própria criação. A pele que eu pintei me
aquece os braços que moldei me envolvem triturando-me os
desejos evocando-me paixões satisfazendo-me! Sonolento meu corpo
repousa na cratera de um vulcão que me absorve inteira e me
consome tirando-me de cena deixando na tela apenas minha melhor
criação: - Pintura íntima!
Tere
Penhabe
Itanhaém, 06/05/2003

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