| Todos querem, meu amigo esse teu rico legado terás, a mina de ouro no testamento deixado?
Se tua vida chega ao fim para o fim caminha a minha quisera eu ter tua riqueza deixá-la à minha menina.
Eu tenho pra quem deixar meus pertences e meus bens o que eu não tenho é amor esse amor que você tem.
Pela tua calça puída pelo céu, pelas estrelas até pelo olhar perdido que não se cansa de vê-las.
Por isso quero lhe pedir, se puder, se me permitir inclua em seu testamento um benefício pra mim.
Deixe-me teus olhos mansos tão doces e tão profundos que só com eles se pode ver esse lado do mundo.
Se não for pedir demais deixe também teu coração para eu aprender a amar sem desejar por a mão.
E um dia, como você vagalumes eu terei cercando meu corpo feliz nas andanças que farei.
E o sol, ah... o sol!!! Por favor, deixe pra mim, eu amo vê-lo nascer mas nunca o senti assim.
Desse jeito que você tão docemente descreve é como se o sol pudesse ser tudo que nos apetece.
E para não ser injusta que não quero aproveitar deixe-me o frio que sentiu na madrugada a raiar.
Os pardais, os dê a outro pois esses eu tenho demais são os únicos que me sobraram de tudo que ficou pra trás.
E os jornais, eu não os quero pois nunca mais os quis ver desde que um presidente pôs minha vida a perder.
Se precisar, e eu não creio cobrirei meu corpo trêmulo com essa tua lembrança que quase me parte ao meio.
Se te encontrei, algum dia por certo lhe dei moedas não por ser boa, afinal meu medo era acabar igual.
As palavras "Deus lhe pague" creio, será um problema porque igual estoque eu tenho de palavras "Assim seja".
Todas as folhas de outono, tuas sandálias viajadas e até mesmo o pó da estrada é meu coração quem os quer.
E as saudades profundas dos sonhos que não sonhaste com elas poderei sentir os sonhos que não vivi.
Tudo que é teu é bem vindo não se acanhe em me deixar por certo, enriquecerei pois teu tesouro é real.
A marca do beijo eu tenho muito mais pobre que o teu de um menino interesseiro querendo um presente meu.
Se fingiste que chorou, nunca choraste de fato mil lenços eu já gastei no lugar desse teu trapo.
E já que assim decidiste a outro mendigo doar tudo o que conseguiste nesta vida angariar...
Vou fazer como se fazem os ilustres homens de bem subornar o tal mendigo e ficar com o que lhe dê.
Só prometo contrariar em tudo que eu conseguir quando ele me procurar não negar e dividir.
Porque essa vida é assim junta-se ouro e tesouros mas pra ser realmente feliz é só como você diz.
Vai, meu amigo mendigo se acabou tua missão eu peço a Deus, um legado: -Que algum dia, em outra vida eu possa ser teu irmão!!!
Itanhaém,
28/05/2004_8:06 hs

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