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Lembro-me como se fosse agora com o olhar cansado, ele me chamou para se
despedir, para pedir perdão. No seu rosto triste e magro vi o tape da
nossa vida e me recusei a chorar para lhe dar um pouco da vida que me
sobrava...
Cinco minutos apenas... Para quem teve tanto... Só
restavam cinco minutos.
A porta se abriu de repente os homens de
branco levaram-no. Lembro-me que ainda consegui sorrir e lhe dizer
baixinho:- eu espero aqui!
A janela aberta me mostrava a selva o
perfil de um prédio, que eu não esqueci. Que durante horas eu me
perguntei o que havia nele: se tristeza ou vida!
Como na ampulheta
o tempo pingava como se mendigasse os minutos. Finalmente no ocaso, com a
sala púrpura a porta se abriu e você voltou.
Mas voltou para a vida,
não voltou pra mim. Aquele amor gostoso, que me fez sentir Perdeu-se para
sempre numa UTI.
Eu segui em frente, ainda que descrente querendo o
nosso mundo resgatar. E lutei com homens. E lutei com a vida. Que luta
desigual! Tudo para lhe proteger.
Nada adiantou. Porque um belo
dia Quando o sol nascia, você foi embora.
E nunca mais voltou...

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Copyright 2004 por Terezinha A.
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