A lua me deixa assim
inquieta
com o mundo nas mãos
o mar ao meu lado
querendo amor e amar.

Querendo um abraço
que me abraçasse por dentro
aquietasse-me a alma
suavizasse os gritos roucos
do meu coração.

A lua me deixa assim
querendo o calor da sua pele
suas mãos me tocando
seus lábios ao meu alcance
mas eu não tenho.

Posso sentir com intensidade
o silêncio da sua inexistência
uma fera estoura as grades
que embriaga esta  vontade
que eu tenho de buscar você.

Já não sei quem sou
com passos felinos
esgueiro-me pela vida
procurando o sentido
do que a lua me proporciona.

Vejo-o nos braços de anjos
a embalarem seu sono
coberto de sorrisos mansos
paz e docilidade...
Falta coragem à fera...

Você já foi fera um dia
entenderia?...
O medo me consome
violenta meus sentidos
deita-me ao mar sereno.

Tentáculos do mar me abraçam
como se ele pudesse
fazer-me o que você faria
na volúpia desse momento eu vejo:
não é bem isso que eu queria...

Queria que você fosse o mar
adentrasse a alma e o coração
possuísse meu corpo
tomando-me um pouco
da vida que explode em mim.

Queria os seus beijos quentes
que abrasadores, intrépidos
arrebentassem minhas correntes
libertando-me para sempre
deixando-me voar livre outra vez.

E de repente
a imagem refletida no espelho
parte-se lentamente
cacos de medo se desprendem
lembro-me onde tudo começou...

A lua me deixa assim...

 

              Itanhaém, 23/08/2003

 

 

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